ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS EM IDOSOS NO BRASIL (2015–2025)
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E FATORES ASSOCIADOS À GRAVIDADE E MORTALIDADE
Resumo
Objetivo: analisar a ocorrência de acidentes por animais peçonhentos em idosos no Brasil, no período de 2015 a 2025. Material e Métodos: Trata-se de estudo ecológico transversal, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram incluídas 481.919 notificações de acidentes em indivíduos com 60 anos ou mais. Realizou-se análise descritiva das características sociodemográficas, clínicas e assistenciais, além do cálculo de incidência, letalidade, razão de prevalência e análise espacial por unidade federativa. Resultados: Predominaram casos em homens (53,56%), idosos de 60 a 64 anos (33,61%) e pessoas pardas (42,87%). Os acidentes escorpiônicos foram os mais frequentes (63,84%), seguidos por aranhas (14,63%) e serpentes (10,17%). A maioria dos casos foi classificada como leve (83,87%), com evolução para cura (91,19%) e atendimento em até uma hora (48,74%). A análise temporal mostrou crescimento expressivo das notificações, com razão de prevalência de 2,96 em 2025 em relação a 2015. Na análise espacial, São Paulo e Minas Gerais concentraram o maior número absoluto de casos, Tocantins apresentou a maior incidência, e Roraima, a maior letalidade. As lesões ocorreram principalmente em dedos das mãos, pés e mãos. Houve associação entre sexo masculino e maior gravidade (RP=1,14; IC95%: 1,07–1,22) e entre atendimento após três horas e maior prevalência de óbito (RP=1,62; IC95%: 1,41–1,86). Conclusão: Os acidentes por animais peçonhentos em idosos apresentam tendência crescente no Brasil, com predomínio de escorpionismo e maior ocorrência em homens. Diferenças regionais relevantes foram observadas entre incidência e letalidade. Além disso, o atraso no atendimento mostrou-se associado a maior risco de óbito, destacando a importância do acesso oportuno à assistência em saúde.
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